jusbrasil.com.br
26 de Abril de 2019

Adoção e doação: casal homossexual francês adota três irmãos

A minúscula cidade francesa de Cerisé, com pouco mais de 700 habitantes, vai ganhar em breve três brasileirinhos. Os irmãos William (10), Rodrigo (8) e Kauã (7) terão uma nova família, disposta a dar carinho, zelo e amor como qualquer outra. Os pais franceses – Descharles Olivier, 35 anos e Mathieu Guillaume, 32, adotaram os três meninos, que esbanjam alegria e desejo de serem felizes. A Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional (Cejai), do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), articulou o processo de adoção. A sentença foi dada na quarta, dia 25. Nesta quinta-feira, dia 26, a nova família se reuniu na sede da Cejai.

A decisão de adotar sempre esteve presente na vida dos professores de escola primária, casados há sete anos. O contato com alunos e sobrinhos despertou nos dois o sonho de formar uma nova família. Preconceito? Descharles e Mathieu não escondem que existe. Mas, e daí?

“Somos uma família como qualquer outra. Damos amor, carinho, cuidado. Em que isso difere de um pai e uma mãe?”, questiona Mathieu, que afirma ter sido muito elogiado no Brasil por resolver adotar as três crianças.

“O Brasil é um país maravilhoso, com pessoas hospitaleiras. As pessoas que nos veem na rua com os meninos param para nos elogiar, nos dar parabéns. Afirmam que o importante é que três irmãos vão crescer juntos e ter uma nova família”, completa.

Outro ponto importante é que o organismo internacional que representou o casal não exibe fotos das crianças que estão à espera da adoção para que os candidatos a pais não façam uma seleção. “Não queríamos um catálogo, não queríamos escolher nossos filhos pela foto deles. Não nos importava a cor, a aparência. Queríamos encontrar quem pudéssemos fazer feliz”, explica Mathieu.

O convívio entre o casal e os três filhos completou um mês nesta quinta. Nesse intervalo, já é possível apontar traços bem peculiares de cada um dos meninos.

“William é caprichoso e, por ser o mais velho, se sente responsável pelos irmãos; Rodrigo é mais impulsivo, mas tem demonstrado enorme confiança na gente. E Kauã é um bebezão. Carinhoso, acolhedor”, conta Descharles.

A rotina também mudou. E muito. Por estarem há pouco tempo no Brasil, Descharles e Mathieu ainda estão se adaptando ao país, que não se cansam de elogiar. Mas cuidar dos três é tarefa que exige disposição. “Eles correm, brincam o tempo todo, ficamos muito cansados ao fim do dia. Mas é essa a vida que nós sonhamos. Estamos muito felizes”, diz Mathieu.

Felizes os pais; felizes os filhos. William já se orgulha em chamar o casal de Pai Descharles e Pai Mathieu. Rodrigo conta que ainda não conhece o Olympique de Marseille, time de futebol de Descharles, e diz que continuará torcendo pro Flamengo. E Kauã, o mais novo, é só beijo nas bochechas dos papais.

Como funciona a adoção internacional

A adoção de crianças brasileiras por estrangeiros segue um rigoroso processo para a segurança dos pequenos. Em primeiro lugar, crianças brasileiras só são adotadas por famílias do exterior depois que todas as possibilidades de adoção aqui se esgotam. Dessa forma, a maior parte dos casos de adoção ocorre com irmãos, crianças mais velhas ou pré-adolescentes.

Para adotarem crianças daqui, é preciso que os países habilitem seus cidadãos a serem pais adotivos. Cada nação segue uma legislação própria: na Itália, a adoção de casais homossexuais e por monoparentais (um só adotante) não é permitida, e o casal hétero precisa ter a certidão de casamento. França e Espanha têm uma legislação mais flexível. O TJRJ mantém convênio com organismos internacionais dos três países, que apresentam candidatos à adoção. Relatórios são produzidos pela Cejai com um perfil de cada criança, que serão avaliados pelos futuros pais.

FB/MAG

10 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

Que estas crianças sejam felizes no novo lar, em novo país. Parabéns ao TJRJ, que concedeu adoção internacional. Assim mais um lar feliz ,menos uma criança abandonada ou marginalizada. continuar lendo

É esse tipo de notícia que faz a diferença. continuar lendo

Que bonito! Agora sim eles nunca vão saber o que é ter uma mãe. continuar lendo

Cara colega, vamos torcer a favor para que eles tenham os cuidados necessários e o carinho que alguém deixou de dar por livre vontade ou por força do destino. continuar lendo

me desculpe...tenho uma amiga chamada Angel e me confundi. me perdoe. continuar lendo

se nao fosse tao demorado e burocratico a adoçao aqui no brasil para os brasileiros isso nao seria necessario . com certeza essas crianças nao foram entregues a adoçao nessa idade que foram adotadas. geralmente quando aparece uma criança para adoçao com 2 ou 3 anos e alguem se candidata a adotar ai vem a burocracia e quando o "casal" consegue fazer a adoçao as crianças que eram bebes ja estao com peitinhos ou barbudos ai ninguem quer né eu mesmo nao queria e vc ?
eu mesmo conheço pessoas que ja estao desistindo da adoçao por causa disso e vc tambem conhece ? continuar lendo