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6 de Dezembro de 2021
2º Grau
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Detalhes da Jurisprudência
Órgão Julgador
SEGUNDA CÂMARA CÍVEL
Partes
AUTOR: LUCIA HELENA DE OLIVEIRA SOARES, R�U: SAAETRI SERVICO AUTONOMO DE AGUA E ESGOTO DE TRES RIOS
Julgamento
15 de Setembro de 2011
Relator
Des(a). MAURÍCIO CALDAS LOPES
Documentos anexos
Inteiro TeorTJ-RJ_APL_00037341820078190063_ef693.pdf
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Inteiro Teor

APELAÇÃO CÍVEL Nº 0003734-18.2007.8.19.0063

APTE: LUCIA HELENA DE OLIVEIRA SOARES

APDO: SAAETRI SERVIÇO AUTÔNOMO DE ÁGUA E ESGOTO DE TRÊS RIOS

RELATOR: DESEMBARGADOR MAURICIO CALDAS LOPES

Ação Declaratória c/c Repetição de Indébito.

Serviço de esgotamento sanitário.

Pretensão de declaração da ilegitimidade da cobrança pelo serviço de esgotamento sanitário, bem como de devolução em dobro dos valores pagos nos últimos cinco anos, por isso que não disponibilizado o serviço no Município de Três Rios.

Sentença de improcedência.

Apelação.

A cobrança pelos serviços de esgotamento sanitário abrange, além do tratamento dos efluentes, a coleta, o transporte e a disposição final dos dejetos, na forma da lei 11.445/07, que dispõe acerca das diretrizes nacionais para o saneamento básico, em seu artigo , I, b:

Art. 3o Para os efeitos desta Lei, considera-se:

I - saneamento básico: conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de:

(...)

b) esgotamento sanitário: constituído pelas atividades, infra estruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente;

Assim, não afastada a prestação do serviço pela autarquia ré, ainda que de forma imperfeita, não há se falar na ilegitimidade da cobrança impugnada.

Precedentes deste Egrégio Tribunal.

Recurso a que se nega seguimento.

Vistos, etc.

1. AÇÃO DECLARATÓRIA C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO

aforada por LUCIA HELENA DE OLIVEIRA SOARES em face de SAAETRI

SERVIÇO AUTÔNOMO DE ÁGUA E ESGOTO DE TRÊS RIOS visando compelir a

ré a se abster de cobrar pelo serviço de tratamento de esgoto, bem

como a restituição em dobro do valores pagos nos últimos cinco anos,

porquanto, o aludido serviço não seria efetivamente disponibilizado.

1.1 A sentença de 1º grau dera pela improcedência da

honorários advocatícios, estes fixados em R$ 600,00 (seiscentos reais), observada, entretanto, a gratuidade de justiça deferida à parte.

1.2 Daí o apelo, que é da autora e se bate pela reforma

do julgado, forte na ilegalidade da cobrança pelo serviço de esgotamento sanitário.

1.3 Contrarrazões do réu, pugnando pela manutenção da

sentença.

Brevemente relatados, decido:

2. O cerne da controvérsia trazida a debate diz respeito

à legalidade da cobrança de serviço de esgotamento sanitário no Município de Três Rios.

Alega o autor que a autarquia ré, ora apelada, não disponibiliza o serviço de tratamento de esgoto, por isso que, apenas efetua a coleta e transporte do esgoto produzido através de cursos de águas naturais, sendo certo que, tanto o artigo 145, II da CRFB/88, quanto o artigo 77 do CTN dispõem que o fato gerador para lançamento da taxa é o da utilização do serviço público.

2.2 Bem, a cobrança pelos serviços de esgotamento

sanitário abrange, além da prestação de tratamento dos efluentes, a coleta, o transporte e a disposição final dos dejetos, na forma da lei 11.445/07, que dispõe sobre as diretrizes nacionais para o saneamento básico, em seu artigo , I, b:

Art. 3o Para os efeitos desta Lei, considera-se:

I - saneamento básico: conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de:

(...)

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b) esgotamento sanitário: constituído pelas atividades, infra-estruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente;

2.3 Daí, ainda que não seja disponibilizado efetivo

tratamento para o esgoto coletado da residência do autor, é certo que

ele se utiliza da rede pública para escoamento de dejetos sanitários,

que coleta e conduz até o respectivo local de deposição.

Ademais, não se olvide que o laudo pericial

produzido no proc. nº 2006.063.000446-9 (fls. 138/145), acolhido como

prova emprestada, ratifica a existência de rede coletora pública

administrada pela ré.

Assim, não afastada a prestação do serviço pela

autarquia ré, ainda que de forma imperfeita, não se havia falar na

ilegitimidade da cobrança perpetrada, tal como da jurisprudência

majoritária deste Egrégio Tribunal e deste órgão fracionário:

“Decisão Monocrática. Apelação Cível. Ação declaratória de inexistência de relação jurídica c/c repetição de indébito. Serviço de tratamento de esgoto no município de Barra Mansa. Sentença improcedente. A Lei nº 11.445/2007 estabelece que o serviço de saneamento básico consiste num conjunto de serviços, de infra-estruturas e instalações, mediante a coleta, o tratamento e disposição final dos esgotos sanitários. Inocorrência do tratamento propriamente dito, mas há a coleta do esgotamento sanitário, com o transporte, a limpeza dasmanilhas, sua desobstrução e conservação. Configuração da prestação de serviço que enseja a cobrança da tarifa deesgoto. Manutenção da sentença. Desprovimento do recurso.”

(0021027-04.2009.8.19.0007 - APELAÇÃO - DES. MONICA TOLLEDO DE OLIVEIRA - Julgamento: 04/11/2010 - QUARTA CÂMARA CIVEL)

“Direito Constitucional. Direito Administrativo. Demanda Declaratória cumulada com cumprimento de obrigação de não fazer e de repetição de indébito. Município de Três Rios. Cobrança regida pelo regime jurídico de direito privado, inexistindo relação jurídica de natureza tributária. Pedido de declaração da ilegitimidade da cobrança que se fundou

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exclusivamente na ausência do serviço de tratamento de esgoto. Causa de pedir, que, no caso, se revela insuficiente. Preço público em questão que pode ser exigido do consumidor em virtude de outras atividades abrangidas pelo conceito de "esgotamento sanitário", previsto no art. , I, b, da Lei nº 11.445/07. Reforça a conclusão pela improcedência do pedido o fato de estar comprovado nos autos a existência, na localidade, de rede coletora pública administrada pela ré. Reforma da sentença para se considerar improcedentes os pedidos da autora.” (APELAÇÃO /REEXAME NECESSÁRIO 0001298- 26.2008.8.19.0007, SEGUNDA CÂMARA CÍVEL, Rel. DES. ALEXANDRE CÂMARA - Julgamento: 14/04/2011)

“Apelação. Ordinária. Declaratória de inexistência de débito, cumulada com repetição de indébito e dano moral. Concessionária de serviço público. Cobrança de tarifa de esgoto. Serviço de conexão, recolhimento e escoamento dos efluentes sanitários, os quais geram custos operacionais, sendo cabível a sua remuneração (artigos , I, b, 29, I e 45 da Lei nº 11.445/2007). Se o próprio apelante afirma que o esgoto de sua residência é lançado no rio, desnecessáriaseria a realização de prova pericial, uma vez que, como por ele admitido, é servido por rede de captação; caso contrário, haveria de manter, às suas expensas, sistema de fossa no próprio imóvel. Precedentes jurisprudenciais. Recurso a que se nega seguimento.” (APELAÇÃO 0000537-92.2008.8.19.0007, SEGUNDA CÂMARA CÍVEL, Rel. DES. JESSE TORRES - Julgamento: 01/03/2011.)

3. Tais circunstâncias, atraindo à espécie as regras do

artigo 557 e parágrafos do Código de Processo Civil, autorizam o relator

a negar seguimento ao recurso desde logo, como ora o faço.

Intimem-se .

Rio de Janeiro, 15 de setembro de 2011.

Desembargador Mauricio Caldas Lopes

Relator

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